pesquisa-de-coronavirus-pandemia-conceito-de-epidemiologia_74855-5785.jpg

PÓS GRADUAÇÃO: Módulo 06 - SPESF EAD

EPIDEMIOLOGIA

AS DOENÇAS PODEM SER CLASSIFICADAS NA EPIDEMIOLOGIA E DETERMINANTES, CONDICIONANTES DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA E PADRONIZAÇÃO DE INDICADORES NO SUS

 

1. AS DOENÇAS PODEM SER CLASSIFICADAS NA EPIDEMIOLOGIA

O conhecimento epidemiológico sobre as doenças permite classificá-las e obter uma medida de sua importância e possibilidade de prevenção. O conhecimento da história natural de uma doença nos permite prevenir e, portanto, a possibilidade de intervir efetivamente sobre ela. Na mesma medida, a organização, estrutura e capacidade de resposta atual e potencial do próprio sistema de serviços de saúde estabelece a capacidade de controlar e obter impacto favorável sobre a saúde da população.

Em sentido amplo e com fins práticos, a prevenção geralmente é classificada em quatro categorias ou níveis, relacionadas com as diferentes fases de desenvolvimento da doença

  • Prevenção primordial: voltada a evitar o surgimento e a consolidação de padrões de vida sociais, econômicos e culturais que contribuem para elevar o risco de adoecer; esse é o nível de prevenção mais recentemente reconhecido e tem grande relevância no campo da saúde populacional; as medidas contra os efeitos mundiais da poluição atmosférica, ou o estabelecimento de uma dieta nacional baixa em gordura animal saturada são exemplos de prevenção primordial.

  • Prevenção primária: voltada a limitar a incidência de doença mediante o controle de suas causas e fatores de risco; envolve medidas de proteção da saúde, em geral através de esforços pessoais e comunitários; a imunização, a pasteurização do leite, a cloração da água, o uso de preservativos ou a modificação de fatores e comportamentos de risco são exemplos de prevenção primária. Os enfoques estratégicos individual e populacional revisados fazem referência básica à prevenção primária.

  • Prevenção secundária: voltada à cura das pessoas enfermas e à redução das consequências mais graves da doença mediante a detecção prévia e tratamento precoce dos casos; seu objetivo não é reduzir a incidência da enfermidade, mas sim, reduzir sua gravidade e duração e, consequentemente, reduzir as complicações e a letalidade da doença. Os programas de triagem ou rastreamento populacional, como as campanhas massivas de exame de Papanicolau ou para detecção e tratamento precoce do câncer de colo de útero, são exemplos de prevenção secundária.

  • Prevenção terciária: voltada à redução do progresso e das complicações de uma doença já estabelecida mediante a aplicação de medidas orientadas a reduzir sequelas e deficiências, minimizar o sofrimento e facilitar a adaptação dos pacientes a seu ambiente; é um aspecto importante da terapêutica e da medicina reabilitadora. A prevenção terciária envolve uma atenção médica de boa qualidade e é difícil de separar do próprio tratamento da doença.

1.1 Transição epidemiológica no Brasil

  • Entende-se por transição epidemiológica as mudanças ocorridas no tempo nos padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica e que, em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas (OMRAM, 2001; SANTOS-PRECIADO et al., 2003).

  • O processo engloba três mudanças básicas:

  • Substituição das doenças transmissíveis por doenças não transmissíveis e causas externas.

  • Deslocamento da carga de morbimortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos.

  • Transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual a morbidade é dominante.

  • Barreto et al. (2005), enfatizam a necessidade da revisão da teoria da transição epidemiológica, segundo o contexto específico da América Latina. Para esses autores, as principais mudanças no padrão epidemiológico do Brasil seriam as descritas.

Figura 1 - Principais mudanças no padrão epidemiológico do Brasil.

Imagem1.png

A complexidade do cenário epidemiológico atual, caracterizado pela tripla carga de doenças na população (permanência de doenças agudas, aumento do peso relativo às condições crônicas e às causas externas), é decorrente, também, da forma de gestão das práticas sanitárias.

As práticas sanitárias, por exemplo, precisam de maior organicidade para desencadear ações oportunas que auxiliem na redução ou eliminação dos riscos à saúde e ampliem a capacidade de resposta do SUS. Na prática, é de extrema importância acompanhar os mapas de situação de saúde no Brasil, por meio da avaliação e monitoramento dos indicadores, a fim de traçar os perfis epidemiológicos e acompanhar possíveis mudanças, conservações e/ou transformações.

Descobrir, investigar rapidamente e acompanhar patógenos emergentes de doenças e fatores envolvidos no surgimento do quadro são fundamentais nesse processo. Vejamos abaixo alguns indicadores que podem ser utilizados para ilustrar o peculiar processo de transição epidemiológica no Brasil:

  • Perfil de mortalidade.

  • Perfil das causas de internação.

  • Perfil de doenças infecciosas persistentes (incluem-se a malária, a tuberculose, as leishmanioses, a esquistossomose, a doença de Chagas, a febre amarela silvestre e as hepatites virais, entre outras).

Perfil de doenças emergentes e reemergentes (Aids, dengue, a cólera pelo vibrio cholerae El Tor, hantavirose, febre chikungunya, febre pelo zika vírus)

2. DETERMINANTES E CONDICIONANTES DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA

 

Planejar e programar o desenvolvimento de ações em saúde pública exige um conhecimento detalhado das condições de vida e de trabalho das pessoas que residem em determinado território, bem como o entendimento dos fatores determinantes e condicionantes do processo saúde-doença e suas implicações.

Particularmente em países como o Brasil e outros da América Latina, a péssima distribuição de renda, o analfabetismo e o baixo grau de escolaridade, assim como as condições precárias de habitação e ambiente, têm um papel muito importante nas condições de vida e saúde.

Em um amplo estudo sobre as tendências da situação de saúde na Região das Américas recentemente publicado, a OPAS (1998) mostra, de forma inequívoca, que os diferenciais econômicos entre os países são determinantes para as variações nas tendências dos indicadores básicos de saúde e desenvolvimento humanos.

A redução na mortalidade infantil, o incremento na esperança de vida, o acesso à água e ao saneamento básico, o gasto em saúde, a fecundidade global e o incremento na alfabetização de adultos foram função direta do Produto Nacional Bruto dos países.

 

Figura 2 – Fatores de determinações em saúde

Imagem2.png

Fonte: Adaptado de: PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995.

3. PADRONIZAÇÃO DE INDICADORES NO SUS

 

A vigilância da situação de saúde desenvolve ações de monitoramento contínuo do país/estado/região/município/território por meio de estudos e análises que traduzam o comportamento dos principais indicadores de saúde, priorizando questões relevantes e contribuindo para um planejamento de saúde mais abrangente e adequado (BRASIL, 2010).

Um indicador consiste em uma medida que reflete uma característica ou aspecto particular, em geral não sujeito a observação direta (MEDRONHO, 2009). Os indicadores de saúde têm como propósito principal elucidar a situação de saúde de um indivíduo ou de uma população. A qualidade de um indicador depende das propriedades dos componentes utilizados em sua formulação e da precisão dos sistemas de informação empregados. O grau de excelência de um indicador deve ser definido por:

Figura 1 – Variáveis para definição do grau de excelência de um indicador.

Imagem3.png

Fonte: Adaptado de: MEDRONHO, R. A. et al. Epidemiologia. Rio de Janeiro: Atheneu, 2009.

Em geral, a validade de um indicador é determinada por sua sensibilidade (capacidade de detectar o fenômeno analisado) e especificidade (capacidade de detectar somente o fenômeno analisado). Outros atributos de um indicador são: mensurabilidade (basear-se em dados disponíveis ou fáceis de conseguir), relevância (responder a prioridades de saúde), e custo-efetividade (os resultados justificam o investimento de tempo e recursos) (RIPSA, 2016).

CLIQUE
AQUI

Digital-Marketing.gif

REFERÊNCIAS 

  • RIPSA. Indicadores de saúde e a Ripsa. In: BRASIL. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2008, (1), p. 349.

  •  

  • Universidade Federal do Maranhão. UNA-SUS/UFMA. Epidemiologia: conceitos e aplicabilidade no Sistema Único de Saúde/Regimarina Soares Reis (Org.). - São Luís: EDUFMA, 2017, p.96. https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/9070/1/Epidemi ologia_ISBN%20978-85-7862-653-2%20-%202017.pdf.